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Artigo

Princípio sem princípio

Na origem de tudo

Pe. Anderson Cunha

Pe. Anderson CunhaPadre Anderson Santana Cunha pertence ao clero da diocese de Assis (SP). É licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia pela Faculdade João Paulo II de Marília (SP). Atualmente é Pároco da Paróquia São José de Florínea (SP).

11/09/2020 18h56
Por: Pe. Anderson Cunha
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Qualquer um pode deduzir que Deus existe partindo da razão e depois alcançar a certeza dessa verdade com a ajuda fundamental da fé. Um desses argumentos filosóficos, ou seja, que partem da razão,  é o seguinte: observando a geração dos seres humanos, somos levados a crer que deve existir um primeiro pai, um primeiro princípio sem princípio. Sobre Ele falaremos aqui. 

É muito simples compreender esse argumento. Acompanhamos o raciocínio: vendo um filho, deduzo que ele deve ter um pai, e que por sua vez esse pai é precedido por um outro pai. E isso nos levaria a uma infinita sucessão de pais. Mas, lá no início, pela lógica, deve haver alguém que não é filho de ninguém, apenas pai. Esse raciocínio, muito evidente e lógico, foi pensando por filósofos, e até conhecido por alguns povos primitivos, que já haviam se davam conta disso. 

Essa consideração fornece base ao que aqui se dirá sobre um importante conteúdo da fé católica.  Antes, um adendo: o Símbolo dos Apóstolos ou a oração do “Credo”, como geralmente se chama, é como que um resumo de tudo aquilo que nós, católicos, acreditamos. Embora sejam apenas doze frases elas conseguem dizer, em poucas palavras, o essencial da fé que professamos. E lá, logo no início, se diz: “Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra”. Portanto no início dos conteúdos da fé encontramos aquele primeiro pai, que foi apresentado no parágrafo anterior: Deus Pai é o princípio sem princípio!

Só nessa pequena frase tem assunto para muitas de páginas: a razoabilidade da fé, a existência de um só Deus, a Santíssima Trindade, a onipotência divina, a criação do mundo, a divina providência e o governo do mundo, entre tantos outros assuntos. Mas nos concentremos em um dos pontos essenciais: quem é a primeira pessoa da Trindade.

Sabemos que Deus é único, embora seja três pessoas diferentes. Todos eternos. Mas por que a primeira pessoa se chama Pai? Os motivos são vários: o primeiro é que se chama Pai porque ele gerou o Filho (Segunda Pessoa da Trindade) e também porque dele procede a Terceira Pessoa, o Espírito Santo. Além disso, acrescentam-se outros dois motivos: porque Ele é pai de todos os homens, no sentido de que foi Ele que os criou, os conserva e os governa, e também porque todos os batizados são seus filhos adotivos. 

No Símbolo dos Apóstolos tem-se a afirmação de que o Pai é o criador do céu e da terra. É certo que tudo que vemos - e que também não vemos - é criação de Deus. Embora toda criação seja obra da Trindade, atribui-se a obra da criação Àquele que é princípio sem princípio.

Deus não só criou como continua “criando”, no sentido em que as coisas só continuam existindo porque Ele quer. Por isso se diz que Deus governa o mundo com sua divina providência e nada acontece sem que Ele permita. Mas é preciso fazer uma distinção: há coisas que Deus quer e manda que ocorram, mas há também coisas que Deus não quer, como o mal, por exemplo, e permite que aconteça. E isso Ele o faz porque em sua onipotência, ele pode tirar do mal um bem, muito maior, para manifestar a sua misericórdia e sua justiça. Eis o Pai, princípio sem princípio, a origem de tudo.

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