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Artigo

O paraíso, o pecado e uma maçã

Doutrina do Pecado Original

Pe. Anderson Cunha

Pe. Anderson CunhaPadre Anderson Santana Cunha pertence ao clero da diocese de Assis (SP). É licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia pela Faculdade João Paulo II de Marília (SP). Atualmente é Pároco da Paróquia São José de Florínea (SP).

25/09/2020 11h52Atualizado há 4 semanas
Por: Pe. Anderson Cunha
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Estamos em acordo de que tudo que Deus criou é bom. É impossível sair das mãos Daquele que é a suma bondade algo de ruim. Se concordamos com esta premissa, logo se nos apresenta uma importante dúvida: de onde vem o mal? Essa é uma boa pergunta e a fé católica, divinamente revelada, tem uma resposta. 

Ainda desta primeira afirmação - de que tudo que foi feito por Deus é bom - podemos deduzir que houve um momento em que não existia o mal. Por isso, é possível falar de um “paraíso”, de um jardim, com está na própria raiz da palavra. É a partir dessa constatação que podemos visitar as primeiras páginas da Bíblia que nos fala sobre o jardim do Éden. 

Deus criou os homens em perfeita amizade com Ele. Em um estado de inocência e de pureza, no qual os sentidos estavam plenamente sujeito à razão. Além disso, não havia morte, tal como a conhecemos hoje. O homem possuía o conhecimento que lhe era necessário e não era sofria dores ou misérias. Um verdadeiro paraíso!

Segue, na narrativa bíblica, não um fato jornalístico, mas uma verdade teológica: seduzido pelo diabo o homem tentado caiu. Deus nos revelou aquela história para que assim soubéssemos a origem dessa desordem que está dentro do nosso coração. E isso não é uma simples opinião. É uma verdade. Com um pouco de sinceridade e com um olhar atento para si mesmo somos capazes de perceber as desordens dentro de nós que não podem ter vindo de um criador bom. 

O  lastimoso estado de nossa sociedade é uma verdadeira prova que autentica a doutrina do pecado original. Querem prova maior dessa rebeldia do que a ousadia dos homens de nosso tempo de querer assumir para si a poder de dizer o que é bom e o que é mal, na maioria das vezes contrariando as próprias leis da natureza e do direito natural? 

O primeiro pecado, também chamado de o pecado de Adão, foi um ato de transgressão pessoal. Em nós, não é uma falta individual, mas é uma situação na qual todos nascemos. Pode parecer injusto e sem sentido. Mas apresento-lhes um exemplo, evidentemente desproporcional, mas que serve para simplificar a ideia: seria como um homem rico que, por azar, perdeu toda a sua fortuna; ele cometeu um “erro” pessoal, mas que tem uma consequência, que será colhida pelos seus filhos, eles serão pobres.

Após o primeiro pecado estávamos todos condenados eternamente a ficar longe de Deus. Mas logo após o pecado de Adão, nos foi prometido a vinda de um redentor. E essa promessa se cumpriu no seio de Maria. Por isso que na noite da Páscoa se canta: “Ó feliz culpa de Adão”. Como assim? Feliz? Sim, porque Deus tirou dessa mal, um bem muito maior, incomparável. 

Bom, mas e a maçã? Não se sabe ao certo porque se retratou a árvore do bem e do mal como uma macieira. Talvez por um problema de tradução com as palavras latinas e gregas passou a ser o símbolo da tentação e do pecado. Já em outros livros, como o livro apócrifo de Enoque, essa árvore seria um belíssimo tamarindeiro e que exalava uma fragrância de fato tentadora.

 

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