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Artigo

O Crime

Quem são esses

Pe. Anderson Cunha

Pe. Anderson CunhaPadre Anderson Santana Cunha pertence ao clero da diocese de Assis (SP). É licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia pela Faculdade João Paulo II de Marília (SP). Atualmente é Pároco da Paróquia São José de Florínea (SP).

16/10/2020 11h57Atualizado há 1 semana
Por: Pe. Anderson Cunha
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Os primeiros anos da história da Igreja é um tempo da grande entusiasmo na difusão do anúncio do Evangelho. O número de cristãos crescia e a boa notícia de Nosso Senhor chegava aos confins da terra. Mas esse período é também marcado por muitas dificuldades entre elas a perseguição. Por mais de trezentos anos quem professava a fé católica tinha problemas com as autoridades, primeiramente com as judaicas e depois como o império romano.

Depois de serem expulsos das sinagogas judaicas onde costumavam se encontrar e por conta da proibição do culto cristão, os discípulos de Jesus se reuniam nos lugares mais sigilosos possíveis. Quando os cristãos chegam à Europa um desses ambiente que geralmente era escolhidos pelo pouco movimento e dificuldade de acesso - já que quase sempre eram subterrâneos - eram as catacumbas, um tipo de cemitério da antiga Roma. 

É evidente que, como bem sabemos, Deus permite os males porque dele tira bens infinitamente superiores. Neste sentido convém recordar que durante as perseguições surgiram também muitos “defensores da fé”, a que damos o nome de apologistas. Era cristãos convertidos do paganismo que com seu conhecimento, principalmente filosófico e jurídico, defendiam a fé católica, bem com a sua legitimidade, diante das autoridades tanto políticas quanto intelectuais. 

Os cristãos que não queimavam o incenso aos deuses pagãos e não renunciavam a fé católica eram geralmente condenados a um assassinato brutal. Os romanos eram o mais perverso possível nas torturas às quais submetiam os cristãos: desde crianças e mães entregues a leões famintos nas arenas dos circos até a incineração pública de cristãos ainda vivos nos postes de Roma para a iluminação noturna da cidade. 

Depois de assistirem àquelas cenas cruéis os outros cristãos buscavam os cadáveres dos mártires, quando era possível recolher algo dos seus restos mortais, e os sepultavam nas catacumbas, onde geralmente celebravam a Eucaristia. Alguns dos túmulos tornavam-se altares para a celebração do Santo Sacrifício da Missa. Esse é um dos motivos pelos quais os católicos conservaram o costume de depositar as relíquias dos santos nos altares das igrejas. 

Esse período histórico deu-nos uma grande quantidade de mártires, alguns deles conhecidos e venerados até hoje. Somente no tempo de Constantino que os cristãos obtiveram a liberdade de culto. Todavia os martírios, palavra grega que significa “testemunho”, nunca deixaram de acontecer. Ainda em nossos dias o número de cristãos assassinados por causa da fé é grande e assustador. 

Segundo a fundação Ajuda à Igreja que Sofre o grupo religioso que mais sofre perseguição pela fé nos nossos dias são os cristãos. Os dados de 2020 apontam que 80% dos que não são tolerados por causa da sua fé no mundo são seguidores de Jesus Cristo. 

Exclusão da assistência médica, discrininação no trabalho e nas escolas e até abuso sexual das mulheres cristãs, são alguns dos tipos de violência sofrida pelos nossos irmãos na fé. Para ser ainda mais preciso, um em cada cinco cristãos vivem em países em que aderir ao cristianismo é crime, punível inclusive com pena de morte. 

Sem dúvida, vivemos em uma época em que o número de assassinato de cristãos é maior que o do início do cristianismo. E o silêncio da grande mídia sobre este assunto é assustador, para não pensar inclusive em um velado apoio a um genocídio que se sucede ano após ano e que é omitido propositalmente por adesão uma agenda que inclui em suas prioridades o extermínio dos cristãos. É triste dizer isso, mas ainda hoje é um crime ser cristão. 


Nota: Na imagem de capa está uma foto de 2015 de alguns instantes antes da decapitação de 21 cristãos na Líbia pelo Estado Islâmico. O ISIS disse aos 21 homens que se negassem a Jesus teriam suas vidas poupadas. No entanto, os homens escolheram morrer com o nome de Jesus nos lábios. Todos repetiam: “Senhor Jesus Cristo”.

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