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Artigo

Pedido de ajuda

As almas do purgatório

Pe. Anderson Cunha

Pe. Anderson CunhaPadre Anderson Santana Cunha pertence ao clero da diocese de Assis (SP). É licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia pela Faculdade João Paulo II de Marília (SP). Atualmente é Pároco da Paróquia São José de Florínea (SP).

30/10/2020 13h44
Por: Pe. Anderson Cunha

Não, você não leu errado, este artigo é sim um pedido de ajuda. Mas antes de dizer quem é o necessitado e do que está precisando, convêm recordar os dois últimos artigos da nossa fé: cremos na ressurreição da carne e cremos na vida eterna. Essas duas frases nos fazem lembrar dos "novíssimos" (palavra de origem grega que significa "as coisas últimas"), ou seja, nos lembra da morte, do juízo particular e do final, bem como do purgatório, do Céu e do inferno.

De todos esses temas - também chamados de escatológicos - gostaria de voltar a nossa atenção para a Purgatório. Sobre a sua existência não vou gastar muitas linhas.  Além de ser citado na Bíblia, esta situação de purgação foi ensinado por Nosso Senhor, transmitida pelos apóstolos, e portanto explicada hoje pela Igreja. Não é estranho que Deus, num grande ato de amor e misericórdia, estabelecesse um estado de purificação para as almas.

Aqui cabe explicar que a Igreja católica, que é una, está dividida em três estados: a Igreja celeste, que são os santos e santas que já contemplam a Deus no Céu; a Igreja militante, que somos nós que ainda peregrinamos sobre a terra; e, também existe a Igreja padecente, que são as almas já salvas e que aguardam no purgatório pelo dia de sua entrada no Paraíso. 

E aqui está um passo fundamental para entender o pedido que será feito: como se trata de uma só Igreja é possível haver um intercâmbio de dons entre seus membros. É neste sentido que “cremos na comunhão dos santos”. Esta ligação acontece através da oração, de modo particular na Eucaristia. Como uma verdadeira família, com vínculos de solidariedade espiritual, podemos rezar uns pelos outros e ajudar-nos mutuamente. 

Poderíamos falar sobre rezar pelos que estão vivos, mas este pedido de ajuda é em favor dos mais esquecidos: daqueles nossos amigos e familiares falecidos que estão no purgatório e que precisam de nosso socorro. E nós podemos colaborar para que essas almas contemplem o quanto antes o Céu!

Foi o que Nossa Senhora nos ensinou em Fátima quando pediu que rezássemos após cada mistério do Rosário: “levai as almas todas para o Céu principalmente as que mais precisarem”. Quais são as almas que precisam de ajuda? São as do purgatório! Pois as do Céu já não precisam de ajuda e as do inferno não podem mais serem salvas! 

Como socorrer as almas do purgatório? É preciso que busquemos as indulgências plenárias. Com poucas palavras, explico: embora os pecados já tenham sido perdoados na confissão, permanece após a absolvição a culpa. A indulgência é o perdão dessa pena, que é paga em vida ou depois da morte, no purgatório.

A Igreja, guardiã dos tesouros divinos, recorre aos méritos infinitos de Cristo e aos méritos dos santos e da Virgem, e os distribui concedendo as indulgências. Para alcançá-las são cinco as condições devemos cumprir: visitar o cemitério e rezar pelas almas (ou podemos ir a uma Igreja); confessar-se; receber a Santa Comunhão; rezar o Credo; e, rezar nas intenções do Papa. 

Pode parecer tão simples, mas é através deste gesto humilde e piedoso que muitos dos nossos irmãos já entraram no Céu, e lá são gratos pelas orações feitas em seu favor. As velas e as flores são lindas e dignas homenagens, mas o que mais seria proveitoso aos falecidos é a nossa oração em sufrágio de suas almas. Que bom saber também que quando chegam no Céu essas pessoas pelas quais rezamos se tornam nossas intercessoras. Não ignoremos este pedido de ajuda!

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