Banner Super Topo (728x90) Géssica
Meditação Dominical

Esperar por aquele que nos espera

Início do advento

Pe. Anderson Cunha

Pe. Anderson CunhaPadre Anderson Santana Cunha pertence ao clero da diocese de Assis (SP). É licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia pela Faculdade João Paulo II de Marília (SP). Atualmente é Pároco da Paróquia São José de Florínea (SP).

28/11/2020 13h00Atualizado há 2 meses
Por: Pe. Anderson Cunha

Com a Igreja, hoje iniciamos um novo ano litúrgico. É São Marcos o evangelista que nos narrará ao longo deste novo ano os mistérios da vida de Cristo. 

Advento é tempo de espera e preparação, mas não é um tempo de espera de um desconhecido. É a espera de Nosso Senhor! E por falar das suas vindas, podemos organizá-las em três:

A primeira é a vinda no presépio de Belém, e nos chama a meditar, de joelhos, o mistério da encarnação: Deus que se torna o que há de mais frágil, uma criança.

A segunda vinda é aquela do final dos tempos, e por isso este tempo nos convida a olhar para o final da nossa peregrinação terrena (nossa morte) e para o retorno glorioso do Senhor (a parusia). 

E a terceira vinda que é aquela cotidiana. O Senhor vem a nós especialmente nos Sacramentos (particularmente na Eucaristia, sua presença real) e também nos que necessitam

Nesse sentido, o tempo do Advento é ocasião de preparação e de vigilância, é tempo de alegria e de espera. É tempo de alimentar nossa fé, nossa esperança e nosso amor para encontrar o "amado de nossa alma".

Nós já que sabemos quem estamos esperando: Nosso Senhor. A pergunta a ser feita é: como devemos esperá-lo? Por isso ouviremos dois conselhos, colhidos dos textos bíblicos desta Missa: (A) vigiar e (B) tomar cuidado com as distrações. 

a) Vigiando

O que significa vigiar? Nos respondeu o Papa Bento XVI: “Vigiar significa seguir o Senhor, escolher o que Cristo escolheu, amar o que ele amou, conformar a própria vida com a sua. Vigiar implica passar cada instante de nosso tempo no horizonte do seu amor, sem deixar-se abater pelas dificuldades inevitáveis e os problemas diários” (1)

Essa estar vigilante, disse o Papa, também significa um “justo desapego dos bens terrenos, um sincero arrependimento dos próprios erros, uma caridade ativa para com o próximo e, sobretudo, um abandono humilde e confiado nas mãos de Deus, nosso Pai terno e misericordioso” (2)

Eis aqui alguns propósitos que podemos nos colocar para viver bem esse tempo de Advento: doar as roupas e objetos que não usamos e que poderiam serem úteis para os outros; pedir ou dar o perdão; buscar fazer uma boa confissão, fazendo assim uma boa faxina interior em nosso coração para celebrar bem as festas que se aproximam.

b) Não distrair

O oposto da vigilância é a distração. Esse é o perigo que nos alerta o Evangelho de hoje. Rezará o sacerdote na oração depois da comunhão: “Fazei Senhor que [Esta Missa que estamos celebrando] nos ajudem a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. 

Temos o risco de, caminhando entre as coisas que passam, fixar nosso olhar nos bens passageiros e viver hipnotizados por eles achando que eles são pra sempre. Não nos deixemos iludir também pelas preocupações excessivas com as coisas desta vida, elas nos desfocam do que é essencial. 

Irmãos, o segredo para não ser pego desprevenido é esse: permanecer sempre diante do Senhor, para que no dia de sua volta não estejamos distraídos, mas em contínua comunhão com Ele. Quem em sua chega, neste Natal e em nosso natal para a eternidade (na morte), o Senhor não nos encontre dormindo mas atentos e vigilantes! 

Desejo a todos uma fecunda preparação para o Santo Natal. Que este caminho seja de autêntica santificação e de ação de graças ao Senhor que se fez carne e habitou entre nós. 

Dizia S. João Paulo II que este é um tempo mariano por excelência (3). Sem dúvida isso é verdade, pois Maria é o modelo de acolhida de Cristo. Que ela nos ajude a abrir o nosso coração ao Redentor do mundo que veio, que vem (hoje na Santíssima Eucaristia) e que virá.

Maria, mãe da esperança, rogai por nós!

(1) Homilia, 30 novembro de 2008. (2) Ângelus, Bento XVI, 30 novembro 2008. (3) Cf. João Paulo II, Ângelus, 28 novembro.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.